Sexta-feira, Dezembro 10, 2004

aula magna
por Luiz Roberto Guedes

o cadáver aguarda o início da aula magna o legista-mor
confabula com seus pares e das galerias pendem olhos
sobre a figura rígida anoréxica esculpida pelo rigor mortis
nada de mamas tão só mamilos ornamentais

|primeira incisão| revela seu ventre estéril nada de tripas
nada de útero atrofia típica de quem se manteve à míngua
com uma dieta de larvas álulas de libélulas pó de ossos
de lepidópteros |segunda incisão| os pulmões vitrificados

árvores de gelo a entrópica necrose da nobre víscera falência
do órgão da fala e do canto e cada corte aprofunda o espanto
se desintegra o ente antinatural |esquecido de ser| que se
deixou exaurir em fóssil vivo tácito mineral desmetaforizado

Outros poemas deste autor:
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aula magna
por Luiz Roberto Guedes

o cadáver aguarda o início da aula magna o legista-mor
confabula com seus pares e das galerias pendem olhos
sobre a figura rígida anoréxica esculpida pelo rigor mortis
nada de mamas tão só mamilos ornamentais

|primeira incisão| revela seu ventre estéril nada de tripas
nada de útero atrofia típica de quem se manteve à míngua
com uma dieta de larvas álulas de libélulas pó de ossos
de lepidópteros |segunda incisão| os pulmões vitrificados

árvores de gelo a entrópica necrose da nobre víscera falência
do órgão da fala e do canto e cada corte aprofunda o espanto
se desintegra o ente antinatural |esquecido de ser| que se
deixou exaurir em fóssil vivo tácito mineral desmetaforizado

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aula magna
por Luiz Roberto Guedes

o cadáver aguarda o início da aula magna o legista-mor
confabula com seus pares e das galerias pendem olhos
sobre a figura rígida anoréxica esculpida pelo rigor mortis
nada de mamas tão só mamilos ornamentais

|primeira incisão| revela seu ventre estéril nada de tripas
nada de útero atrofia típica de quem se manteve à míngua
com uma dieta de larvas álulas de libélulas pó de ossos
de lepidópteros |segunda incisão| os pulmões vitrificados

árvores de gelo a entrópica necrose da nobre víscera falência
do órgão da fala e do canto e cada corte aprofunda o espanto
se desintegra o ente antinatural |esquecido de ser| que se
deixou exaurir em fóssil vivo tácito mineral desmetaforizado

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Sexta-feira, Maio 16, 2003

Valsas de Esquina de Mignone
por Dora Ferreira da Silva

Só um pássaro
e seu peso de orvalho tocando
o chão como se foram teclas.
Passa onde a graça
ilumina a cidade de ferro
subitamente atenta a essa beleza.


Nos jardins teimam rosas
delicadamente.
Violetas africanas
salpicam de ouro
muros escuros
e as princesas purpúreas
espiam dos balcões verdes
nas paredes florescidas:
dançam pétalas
dança a vida
nos jardins contentes
não termina a partitura
que se repete
sempre.

Outros poemas desta autora:
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Quinta-feira, Maio 15, 2003

Lá pras bandas
por Plínio Sgarbi

nos meios espaços
dos lugares escuros
nas veias correm
o sangue imundo
que clareiam a sujeira
do submundo

cheiros de fumaça
nos bordéis
a puta inalou e sonhou
buquê de flores de laranjeira
com o sim na beira do altar
prazeres lascivos, vacilou
barriga ganhou
filhos com coronéis

no fio de velhas calçadas
descartam suas crias
gabrielas de Amado
crianças e mendigos
se fazem herdeiros
direitos adquiridos
nos quartos dos puteiros

ossos do oficio
formam
cafetinas
gigolôs
contos, cantos, copos
e jagunços ganham
nas pontas das facas
garrafas em garrafas
bebem corpos

esperam um
próximo trem
para mandar alguém
a estação além
em nome do pai
amém...

Quarta-feira, Maio 14, 2003

A vigília
por Glauco Rondelli

Foi-se o verão cansado,
De várzeas herbáceas infinitas,
Malditas por joios alados,
Prostrados ao lado da vigília.
O inverno engendrou-se pleno nas poças de suas vigas.
Vaidosos sorrisos vergados.
Delgados torrões de brisa.
Das brumas feéricas,
Ergueu-se a Dama dona de meu machado.
Cuspindo o metal, e ao tinir,
Marílias dançavam no prado.
Nos vestidos de pano poído,
Mastigou-se o sabor da obra.
De flores se deteve a maçã.
Do éter em mim,
Nada sobra.

Terça-feira, Maio 13, 2003

Colorindo dores.
por Elane Tomich

Ai eu não queria
Que me aguardasse
No fim da linha
Uma certeira palidez,
Que eu não tinha
E...que de tão forte,
Expusesse minha vez
Aos adoradores da sorte
Na festa de proclamação
Da minha morte.
Queria que a vida
De susto me matasse
Ou ao meu coração
Que, de ser meu ,
Não sou eu.
E uma luz disfarçasse
Aquele sulco de dor sofrida,
Que de breve finitude
Melhor seria,
Tal qual lago em quietude
Quisera eu, sair de fininho
Como o filhote desobediente,
Que larga o ninho
Em vôo curto, mas contente.
E caísse desvairado
Como sonho espatifado
De paixão adolescente.
Não, eu não queria
Que de mim se apoderasse
A cor da metalurgia.
Queria sim, toda orgia
Da aquarela em dança de cores,
Zombando das iguarias
As que eu não provaria...
Zombando do choro e da alegria,
Colorindo a íris de todas as dores.

Outros poemas desta autora:

Sexta-feira, Maio 09, 2003

"arte que te..."
por Paulo Leminsk
 

      arte que te abriga arte que te habita
      arte que te falta arte que te imita
      arte que te modela arte que te medita
      arte que te mora arte que te mura
      arte que te todo arte que te parte
      arte que te torto ARTE QUE TE TURA

Outros poemas deste autor:
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Quinta-feira, Maio 08, 2003

Volta ao coração.
por Sérgio Alcides

Vem o sangue
nadando a montante.
Não é o passado que retorna
e me percorre o corpo a cada poro:
sou eu mesmo
presente / ausente
que não tenho onde escorar
e coro
desamarrado no tempo
jamais devolvido a mim.

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Quarta-feira, Maio 07, 2003

Visão Distorcida
por Paulo Eduardo Lacerda Rodrigues

a rasgar o
corpo nu o
músculo da água
a alargar o ósculo
:...........seria
beijo a palavra
havendo amor

nadamos na
visão distorcida como
orvalho vítreo
no reflexo
de luz
caleidoscópio

outra prova (que
tudo se prova)
e esta concreta à
diferença da água

é o corte na árvore
riscada à chave